Quais são os maiores problemas que envolvem as grandes cidades? Certamente, a maioria da população brasileira tem histórias de sobra sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia em áreas como mobilidade, saúde, educação, saneamento, coleta de resíduos, água, energia, moradia, entre muitas outros.
Com o objetivo de promover um debate para além da discussão dos problemas, mas com o intuito de pensar e focar em soluções viáveis e aplicáveis aos inúmeros contratempos enfrentados pelos territórios urbanos, a Agenda Pública esteve na sede do Inovabra Habitat, na manhã de quinta (17), participando do evento Social Impact Business ao lado da gigante de tecnologia alemã SAP. O tema do encontro foi o ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis, que integra os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da ONU, e também é tema do 1° Festival ODS (FODS) no Brasil, promovido pela Agenda, em parceria com a Estratégia ODS, e cofinanciado pela União Europeia.

Segundo o diretor da Agenda Pública, o mais importante nesse diálogo é mostrar que já existem protagonistas fazendo a diferença, pensando em respostas e aplicando metodologias que comprovam a efetividade da busca para um desenvolvimento mais sustentável, mostrando que ele é totalmente possível, desde que realizado em parceria e com a participação dos diferentes atores de governos, empresas e sociedade civil.
Para o executivo, este é o momento de todos assumirem responsabilidades e não esperar que apenas os governos façam algo ou não. É um chamamento também para empresas e sociedade civil, pois a solução de problemas complexos exige a participação, a sinergia e o trabalho em conjunto.
“Precisamos estar atentos a discursos que vendem, mas não transformam. A pergunta que todos devem se fazer é: como transformar a realidade do lugar em que vivemos? Precisamos ter em mente que os ODS não são apenas uma agenda de obrigações, mas um conjunto de referências e evidências que podem basear políticas públicas e ações de impacto coletivo. São uma caixa de ferramentas que nos ajudam a resolver, avançar e a desenvolver soluções práticas”, comenta Sergio.
Direcionado para um debate em três frentes – Governança, Financiamento e Tecnologia -, o evento abordou questões como: quais os modelos e experiências de governança podem favorecer a cooperação entre atores públicos e privados na solução dos problemas urbanos; novas modalidades de financiamento para questões como mobilidade, saneamento e desenvolvimento urbano (blended finance, investimentos de impacto); e quais inovações tecnológicas podem promover cidades mais sustentáveis e aproximar cidadãos e governo.

“Temos de admitir que ninguém faz nada sozinho. A governança tem de acompanhar o nível de mudança tecnológica. Além disso, é preciso ter consciência de que as transformações só vão ocorrer de fato se forem feitas com a população, caso contrário, teremos cidades inteligentes apenas para quem tem dinheiro. Os governos precisam entender os seus papéis e saber que não farão tudo sozinho. É preciso ter humildade de todos os lados”, aponta Daniela.
O outro convidado foi Christian Geronasso, Digital Transformation Advisor na SAP Brasil e consultor com mais de 10 anos de experiência, especializado na identificação e construção de propostas de valor por meio de abordagens inovadoras como Design Thinking. Em sua fala, o especialista apresentou soluções tecnológicas que já estão sendo aplicadas pela empresa alemã e que atuam diretamente no desenvolvimento sustentável de cidades, comunidades e até mesmo assentamentos. Ele mostrou como a estratégia de dados e o uso das informações são fundamentais para o avanço de soluções para cidades inteligentes.
Um dos exemplos citados por Geronasso refere-se a um projeto desenvolvido para a Aegea Saneamento, que reduziu pela metade o desperdício de água. A empresa também utilizou suas tecnologias para auxiliar uma companhia indiana a distribuir melhor a água potável disponível. O processo de gestão proposto fez com que houvesse menos desperdício e maior índice de eficiência. Um outro trabalho realizado pela companhia diz respeito a um projeto em campos de refugiados na Síria, em que a SAP já treinou mais de 15 mil jovens em linguagem de programação para oferecer melhor qualidade de vida para essas pessoas.
“Hoje, 77% das operações financeiras no mundo rodam pela SAP, podemos desenvolver muitas coisas com essas informações e dados, mas o primeiro nível para a implementação das cidades inteligentes é a gestão básica. No fundo, temos que pensar nas pessoas e em como a tecnologia vai melhorar a vida delas. Temos que fazer com que todos tenham acesso à tecnologia, caso contrário, estaremos gerando mais segregação que ajuda”, explicou Geronasso.
Para finalizar, o evento contou com a participação do público presente que, além de questionamentos, apresentou casos reais aplicados nas cidades.
O Social Impact Business funcionou como uma espécie de drops do que será o Festival ODS, trazendo na troca entre público e convidados os mesmos atributos do FODS – colaboração, inovação, criatividade e vontade de fazer diferente, de colocar a mão na massa e de compartilhar soluções reais, possíveis, viáveis e aplicáveis.
Para saber mais sobre o Festival ODS, sua programação e inscrições para oficinas, workshops e painéis basta acessar o site www.festivalods.org.br.
Para acompanhar na íntegra como foi o Social Impact Business #6 Cidades e Comunidades Sustentáveis, evento realizado no Inovabra e em parceria com a SAP, acesse: .
por Claudia Pereira